O P. Alessio Geraci, missionário comboniano, está vivendo a sua segunda experiência no Peru, terra tão querida do Papa Leão XIV. Pároco em Chorrillos, na periferia sul de Lima, ele caminha junto com seu povo, porque o caminho da esperança é percorrido em conjunto. Um país em profunda crise, em meio à pobreza, à corrupção e à violência. Mas há aqueles que semeiam...

Um peregrino da esperança na terra do Papa Leão XIV, onde a esperança luta, mas resiste. O padre Alessio Geraci, missionário comboniano, chegou ao Peru em outubro de 2024, mas, antes de uma pausa na Itália, já havia estado lá de 2014 a 2019. “Um país totalmente dividido, que a notícia da eleição do padre Roberto - como o chamam aqui - uniu em alegria”, diz o missionário nascido em Palermo em 1983. "O Papa não nasceu aqui, mas viveu boa parte de sua vida sacerdotal e missionária aqui, inculturando-se e trazendo a luz do Evangelho. Ele amou este povo, a ponto de se tornar cidadão peruano; conheceu seu trabalho, suor e dificuldades".

Instabilidade política, pobreza social. Para o Pe. Alessio, essa é uma daquelas boas notícias que há muito tempo eram esperadas. Não apenas para a (até então) desconhecida diocese de Chiclayo, que ouviu a saudação em espanhol da tribuna de São Pedro, mas para todo o Peru “que está passando por uma dramática crise política, social e econômica”. Sobretudo por causa da pandemia que, especialmente entre os jovens, deixou várias sequelas: "Fadiga ao sair de casa, pensamentos suicidas, dificuldade de se relacionar com os outros.

A insegurança e a corrupção são os maiores flagelos da atualidade. Basta lembrar que, entre 2019 e 2023, houve quatro presidentes sucessivos da República; depois, em 7 de dezembro de 2022, a tentativa de golpe de Estado de Pedro Castillo, sua prisão e a posse do atual presidente. "O Peru, em 2023, viveu uma onda de violência e repressão; os protestos deixaram pelo menos 60 pessoas mortas; além disso, diante de uma classe política corrupta e incompetente, o fenômeno dos assassinos de aluguel (que tendem a armar meninos jovens) piorou, de modo que as pessoas têm medo de estar nas ruas por causa de roubos e extorsões. Na região norte, é preciso pagar para ir para casa e a polícia não parece combater o crime de forma alguma.

Jesus, o Viajante. A imagem que o padre Alessio apresenta em Popoli e Missione talvez esteja longe da imaginação do menino de oito anos que já estava cultivando o pensamento da missão, ou do estudante universitário matriculado em Línguas por amor a outras culturas. Era 2007 quando, graças a uma experiência de verão em Missio Giovani (que também o apresentou aos Missionários Combonianos), ele se viu entre os pobres do Togo, na paróquia onde havia crescido. "A faísca se acendeu quando vi como um missionário se empenhava todos os dias pelos outros, e em 2010 entrei no Instituto. Percebi que esse era o sonho que Deus havia colocado em meu coração e que eu simplesmente queria caminhar com as pessoas". E hoje ele caminha com seus irmãos peruanos, seguindo os passos de “Jesus que é o viajante por excelência, um Deus nômade que monta sua tenda entre nós”.

“Fazendo o caminho juntos”. Citando o poeta espanhol Antonio Machado - Caminante no hay camino, se hace camino a al andar (ed.) - o missionário reconhece a importância de “caminhar juntos, em espírito de sinodalidade” como “sacerdotes e profetas em virtude do Batismo, como Igreja em saída, que toma o partido dos últimos e se torna lugar de esperança”. Daí a consciência: "Ser peregrino (e não apenas no ano do Jubileu) é uma responsabilidade, porque significa levar Jesus, que para as pessoas de seu tempo, esmagadas pelos impostos e pelo poder, era a bússola. Como podemos dar esperança ao povo peruano? Transformando nossos corações, para reconhecer o outro como alguém a ser amado".

Os leigos como protagonistas. Seja no litoral (com o ministério paroquial urbano, nos subúrbios de Lima, Arequipa e Trujillo), na selva (entre as 250 aldeias dispersas do mundo indígena) ou nas terras altas (a 4.000 metros acima do nível do mar, onde os andinos precisam ser alcançados casa por casa). "Minha paróquia, nos arredores da capital, tem 100.000 habitantes e está dividida em 13 pequenas comunidades, acompanhadas por mim e por dois outros padres, mas dirigidas principalmente por leigos, que estão sendo constantemente treinados e têm uma profunda sede de Deus.

Ele não dá números, padre Alessio, mas a medida de uma fé que se torna uma vida vivida e que torna a esperança palpável porque é realizada por meio da proclamação das boas novas. Esperança apesar de tudo, em um país que sofre, mas que nos últimos meses se alegrou com o Papa peruano. Ele é um de nós", me disse uma senhora idosa que visitei há alguns dias, antes de lhe dar a unção dos enfermos. Essas pessoas, que sabem como abrir as portas de suas casas e de seus corações, veem no Papa Leão XIV alguém que as conhece e que demonstrou estar ao lado daqueles que, em sua vida cotidiana, tentam viver a vida da melhor maneira possível.

Loredana Brigante, Popoli e Missione – SIR