
Fórum da Família Comboniana sobre Ecologia Integral 2025-1
Em 11 de novembro de 2025, trinta e quatro membros da Família Comboniana de todo o mundo reuniram-se no Centro Social Sagrada Família, em Belém, Brasil, para o Fórum da Família Comboniana sobre Ecologia Integral 2025. O fórum deste ano acontece em concomitância com a COP30 [de 10 a 21 de novembro em Belém], uma conferência internacional sobre mudanças climáticas.
O Fórum da Família Comboniana sobre Ecologia Integral (FFCEI) oferece assim uma expressão concreta de comunhão com aqueles que lutam por uma sociedade justa que respeite e proteja a nossa casa comum.
A sessão de abertura começou com uma oração, seguida de uma breve introdução sobre o FFCEI, o seu objetivo e a sua missão. Em seguida, os participantes tomaram parte em discussões em grupo, seguidas de um momento de partilha e da apresentação do programa da semana. O dia terminou com a celebração da Santa Missa, durante a qual os participantes deram graças a Deus pelo dom da criação e rezaram para obter a graça de a proteger.
Fórum da Família Comboniana sobre Ecologia Integral 2025 – 2
Quinta-feira, 13 de novembro de 2025
Os membros da Família Comboniana participaram de uma série de atividades centradas na fé, na ecologia e na justiça social que estão ocorrendo paralelamente à COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que acontece de 10 a 21 de novembro de 2025, em Belém, Brasil.
Participaram do simpósio internacional sobre o tema “A Igreja Católica na COP30”, que reuniu líderes religiosos, cientistas e representantes das populações indígenas para discutir os caminhos para a conversão ecológica.
Outro momento importante foi o “Tapiri”, um debate ecumênico e inter-religioso na Igreja Anglicana de Belém, onde os palestrantes destacaram a urgência do ecumenismo como plataforma para a ação climática. Os participantes condenaram o fundamentalismo religioso e político que está privando o povo da Amazônia de seus direitos humanos. Eles afirmaram que a natureza foi dessacralizada e transformada em um objeto de exploração e sugeriram colocar a natureza no centro do diálogo inter-religioso.
Uma mesa redonda sobre refugiados e migração contou com depoimentos de migrantes venezuelanos, haitianos e beninenses, que compartilharam suas dificuldades e elogiaram as novas iniciativas locais em apoio aos direitos dos imigrantes no Pará e em Belém.
O dia terminou com a “procissão dos mártires” para homenagear os líderes religiosos e civis que derramaram seu sangue na tentativa de levar justiça e paz à Amazônia.

Foro de la Familia Comboniana sobre Ecología Integral 2025 – 3
Viernes, 14 de noviembre de 2025
La mayoría de los participantes en el Foro de la Familia Comboniana sobre Ecología Integral (CFFIE) en Belém, Brasil, asistieron a dos eventos: 1. La reunión «Cúpula dos Povos», que abordó los temas de la solidaridad, la resistencia y la esperanza en relación con la transición de los combustibles fósiles a las energías renovables y su efecto sobre el cambio climático. 2. La celebración del 25º aniversario de la fundación de VIVAT International, una organización a la que pertenecen las misioneras combonianas y los misioneros combonianos.
La «Cúpula dos Povos» es un conglomerado de más de mil asociaciones y movimientos populares que trabajan por la justicia social y medioambiental. En los debates, entre los temas ya mencionados, se subrayó que la transición energética debe garantizar los derechos humanos, los derechos de los trabajadores, el cuidado de la naturaleza y el bienestar social para todos. Las personas no se oponen a la transformación energética, sino a la forma en que se lleva a cabo, favoreciendo a unos pocos y continuando con la contaminación del medio ambiente.
La celebración de VIVAT International se desarrolló en un ambiente espiritual, festivo y alegre. Se destacó la labor que realiza esta organización en la promoción de los derechos humanos ante las Naciones Unidas en Nueva York y ante el Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Derechos Humanos, en Ginebra, Suiza. La jornada concluyó con la marcha y la vigilia de oración por la tierra organizada por la organización ecuménica e interreligiosa «Tapir». 
Fórum da Família Comboniana sobre Ecologia Integral 2025 – 4
Sábado, 15 de novembro de 2025
Ontem foi outro momento emocionante de encontro, aprendizagem e networking, pois os membros do Fórum da Família Comboniana sobre Ecologia Integral (FFCEI) participaram em várias conversas de diversa natureza. Duas conversas se destacaram especialmente ontem. Ambas foram organizadas pelo “Tapiri” ecumênico e inter-religioso e acolhidas pela Catedral Anglicana de Belém, no Brasil.
Essas conversas versaram sobre os seguintes temas: 1. Os jovens, as mulheres e as pessoas LGBTQ+ na luta pela justiça climática. 2. Como as organizações podem contribuir para combater as violações e o racismo ambiental. Os palestrantes destacaram a necessidade de repensar a migração urbana dos jovens. Observou-se que esse fenômeno muitas vezes afasta os jovens dos conhecimentos e práticas ecológicas tradicionais, o que enfraquece os esforços comunitários existentes de proteção climática.
Além disso, observou-se que os efeitos das mudanças climáticas são sentidos por todos, independentemente da orientação sexual. Consequentemente, a discriminação e a perseguição das pessoas LGBTQ+ anulam os progressos alcançados na luta pela justiça climática.
Além disso, os palestrantes afirmaram que organizações como as ONGs podem contribuir positivamente para a luta pela justiça climática, freando o racismo ambiental e garantindo a participação popular. Daí a importância de promover a ideia de parceria. Influenciar as políticas públicas requer organização. Portanto, não podemos nos dar ao luxo de excluir as ONGs da luta pela justiça climática.

Fórum da Família Comboniana sobre Ecologia Integral 2025 – 5
Domingo, 16 de novembro de 2025
No sábado, 15 de novembro, milhares de pessoas lotaram as ruas de Belém, Brasil, no âmbito da marcha mundial pela mudança climática, em defesa dos direitos dos povos indígenas da região amazônica e de uma transição justa para as energias renováveis.
Os organizadores estimaram que quase 70.000 participantes percorreram um trajeto de cinco quilômetros em duas horas e meia. As organizações da sociedade civil, os movimentos inter-religiosos e numerosos grupos cristãos estiveram amplamente representados, todos unidos sob o apelo à justiça climática.
Durante a marcha, puderam-se ver cartazes em apoio a uma distribuição equitativa da terra na Amazônia e aos direitos das comunidades indígenas. Destacou-se a presença da Igreja, com a participação de grupos como o Movimento Laudato Si', REPAM, Rede Igreja e Mineração, a diocese anglicana de Belém, a Família Franciscana e a Família Comboniana.
Vários bispos e cardeais das Filipinas, África, América Latina e Europa também se juntaram ao evento, como testemunho do compromisso da Igreja em apoiar as lutas dos povos indígenas e dos pobres mais afetados pelas mudanças climáticas.
À tarde, alguns membros da Família Comboniana participaram de um debate sobre mineração e economia extrativa. Os palestrantes condenaram as práticas empresariais que provocam o deslocamento de comunidades e a destruição de ecossistemas, criticando a corrida, especialmente por parte dos países do norte, pelos minerais utilizados no âmbito militar e pela suposta “transição energética”.

Fórum da Família Comboniana sobre Ecologia Integral 2025 – 6
Segunda-feira, 17 de novembro de 2025
A Cúpula dos Povos concluiu ontem com um evento histórico e de grande relevância: a entrega oficial da Declaração da Cúpula dos Povos ao presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago. O documento expõe as lutas e propostas para enfrentar a crise climática e socioambiental em nível mundial. A causa fundamental é o atual sistema econômico que, com a ânsia pelo lucro e pela acumulação de riqueza, sacrifica a natureza e a vida que nela habita. Propõe desmascarar as soluções enganosas do mercado e garantir que os recursos naturais sejam considerados bens comuns.
Ao mesmo tempo, foi encerrada a Cúpula das Crianças, que escreveu uma carta entregue também ao presidente da COP30, na qual expressam sua tristeza e preocupação com a forma como estamos destruindo o mundo. Afirmaram que não são apenas um futuro, mas também um presente, e que não querem crescer em um mundo destruído pela guerra e pelas mudanças climáticas. Eles concluíram com um apelo para “cuidar do planeta como se cuida de uma criança”.
Em sua breve mensagem, o presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, afirmou que esta COP foi histórica pela participação da sociedade civil e dos movimentos populares. Ao contrário das três COP anteriores, realizadas em Belém (Brasil), na COP30 a sociedade civil mundial teve voz e voto. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, enviou uma mensagem à Cúpula dos Povos, lida pela ministra Marina Silva, na qual destacou que a COP30 não teria sido possível sem a participação da sociedade civil e dos movimentos populares, e afirmou: “A luta contra as mudanças climáticas requer a mobilização e a contribuição de toda a sociedade, não apenas dos governos”, e insistiu na necessidade de um desenvolvimento sustentável, “um mundo em paz, mais solidário, menos desigual, livre da pobreza, da fome e das crises”.
A Família Comboniana, após participar de todos esses eventos, concluiu sua visita com a celebração eucarística presidida por Monsenhor Léonard Ndjadi Ndiaye, bispo auxiliar de Kisangani, República Democrática do Congo. Em sua homilia, ele convidou a construir um mundo melhor baseado nos valores evangélicos.
No contexto do Encontro dos Bispos do Sul do Mundo na COP30: os pobres e o clamor da terra, ele afirmou que as prioridades da Igreja são quatro: 1. Educar na ecologia integral. 2. A dimensão ética da transformação energética. 3. O papel das mulheres na Igreja. 4. O diálogo com os povos indígenas, não se pode agir sem a sua participação. Concluiu pedindo uma oração pela paz em seu país e em sua diocese.

Fórum da Família Comboniana sobre Ecologia Integral 2025 – 7
Terça-feira, 18 de novembro de 2025
Na sequência da Cimeira dos Povos, evento paralelo à COP30, ontem, 17 de novembro, a Família Comboniana entrou num espaço de consciência, presença e profunda reflexão. Começamos com um momento de oração, enriquecido pelas reflexões sobre a vida e o testemunho do mártir comboniano padre Ezechiele Ramin.
Em seguida, os participantes foram convidados a partilhar as suas experiências relacionadas com a participação nos dias da Cimeira dos Povos. Da partilha emergiram os seguintes temas: as mulheres, a crise climática, os efeitos devastadores da exploração mineira. Em meio a esses desafios, surgiu um forte sentimento de esperança, expresso repetidamente pelas comunidades, líderes religiosos e grupos da sociedade civil.
O envolvimento visível dos grupos religiosos, a participação das populações indígenas, o compromisso das crianças e dos movimentos eclesiais foram todos vistos como sinais de vida e crescimento.
Durante a sessão da tarde, foram apresentadas várias experiências de ecologia integral. Entre elas, destacam-se os Centros Laudato Si’ no Peru e na República Democrática do Congo, os ministérios ecológicos e as iniciativas sustentáveis para as mulheres das Irmãs Combonianas. Também os Missionários Leigos Combonianos e as Missionárias Seculares Combonianas apresentaram o seu trabalho na promoção da educação ecológica e do compromisso comunitário.
Após as discussões em grupo, partilhámos as nossas reflexões. Dois pontos emergiram da partilha: 1. Progressos na consciência e na prática da ecologia integral através da participação nos Fóruns Sociais e nos Fóruns da Família Comboniana. 2. Reconhecimento da necessidade de tornar a ecologia integral um pilar da nossa missão.
O dia terminou com a Santa Missa presidida pelo padre Piercarlo Mazza, comboniano italiano, que trabalha em Nova Contagem, no Brasil. Na sua homilia, o padre Mazza lembrou-nos de estar corajosamente ao lado dos povos indígenas e de enfrentar as estruturas opressivas com coragem e fé.

Mensagem final do Fórum da Família Comboni no Brasil sobre Ecologia Integral
“Sabemos que toda a criação geme e sofre dores de parto até hoje. E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos no íntimo, esperando a adoção, a libertação do nosso corpo” (Romanos 8,22).
«Não há duas crises separadas, uma ambiental e outra social, mas uma única e complexa crise socioambiental» (LS, 139).
Convocados pelo clamor dos pobres e da terra, trinta e nove representantes da Família Comboni reuniram-se em Belém (BR) por ocasião da COP30 para viver o Fórum sobre Ecologia Integral.
De 11 a 18 de novembro, participamos de todos os espaços de encontro e debate organizados em torno da COP30 e dedicamos tempo para trabalhar juntos, compartilhando momentos de espiritualidade e refletindo sobre o que nos impactou do que ouvimos e vimos nos espaços da COP30. Foram dias de encontro e escuta do Espírito presente na luta dos povos amazônicos e de todo o mundo.
Reunimo-nos em Belém com a convicção de que, neste momento decisivo, estão sendo escritas páginas importantes da história, juntamente com as reivindicações e propostas das comunidades em apoio ao multilateralismo dos povos, contra todo negacionismo e contra os interesses daqueles que defendem o lucro acima da vida.
A Amazônia, sede da COP30, é um território de resistência e inspiração, baseado na sabedoria ancestral e na mística de seus povos. Ao ouvi-los, confirma-se em nós a percepção da grave crise socioambiental que estamos atravessando: uma crise civil que requer uma profunda conversão de nosso estilo de vida individual e coletivo, dessa economia que mata, e também de uma espiritualidade cristã que separou o Criador de suas criaturas.
A confluência das águas até a foz do rio Amazonas uniu povos de todo o mundo, com especial relevância para um protagonismo indígena cada vez mais consciente e organizado. Nos dá esperança compartilhar a vida e os sonhos desses povos: em Belém sentimos fortemente o aroma da missão!
Sentimo-nos parte de uma Igreja em saída, em busca de transformação, aliada aos conhecimentos ancestrais e científicos, num diálogo ecumênico e inter-religioso que abre mentes e corações. Celebramos a vida de muitos mártires, que fizeram e fazem causa comum com o clamor da Terra e das comunidades empobrecidas.
Participamos de muitos debates, nos âmbitos institucionais da COP, na Cúpula dos Povos e no Tapiri Inter-religioso, e aprofundamos uma visão sistêmica da emergência ambiental e climática que estamos atravessando. As comunidades de fé, as igrejas e a vida consagrada têm um potencial e uma responsabilidade únicos para oferecer um caminho de esperança neste contexto, e esse caminho chama-se espiritualidade da Ecologia Integral!
Como pessoas convencidas e animadas pelo tesouro do carisma comboniano e pelo legado da doutrina social da Igreja, que relançam a evangelização como promoção da dignidade da pessoa em todas as suas dimensões, renovamos nosso compromisso como Família Comboniana e propomos as seguintes linhas de ação:
Promover e apoiar a conversão ecológica a nível pessoal e comunitário, com o objetivo de transformar todas as relações baseadas em desigualdades e injustiças (colonialismo, racismo, gênero);
Desenvolver processos de formação inicial e permanente sobre a Ecologia Integral e cultivar uma espiritualidade encarnada, libertadora e baseada na colaboração em rede, valorizando a vida litúrgica em nossas comunidades;
Caminhar como Igreja, valorizando as iniciativas em curso, como a Plataforma de Iniciativas Laudato Si’, Semeando Esperança para o Planeta, o Tempo da Criação e a Semana Laudato Si’, aprofundando o magistério da Igreja e, em particular, o Apelo das Igrejas do Sul Global pela Justiça Climática e a Casa Comum;
Cartografar e dar visibilidade às práticas da Família Comboni para nos sensibilizar sobre o impacto do nosso compromisso com a Ecologia Integral, incluindo estilos de vida simples e sóbrios;
Recuperar o Pacto Comboni para a Casa Comum;
Colaborar com os meios de comunicação da Família Comboni no compromisso missionário da Ecologia Integral;
Incluir a Ecologia Integral na formação e na educação popular dentro das nossas comunidades, com metodologias adequadas às diferentes idades e contextos;
Apoiar ações de influência política a partir dos territórios, com o protagonismo das comunidades, promovendo também atividades que realizem modelos econômicos alternativos possíveis, inspirados na Economia de Francisco e Clara;
Facilitar a colaboração entre os diferentes ramos da Família Comboniana, dando continuidade a uma Comissão Geral, também para promover um intercâmbio sobre as nossas práticas com seminários web formativos duas vezes por ano.
Damos graças a Deus e aos povos que nos acolheram e, de maneira especial, à coordenação que organizou o Fórum e a todos aqueles que permitiram a sua realização.
Que esta nova semente plantada no terreno da Família Comboniana gere frutos de renovado compromisso, em resposta à urgência dos sinais dos tempos!
Belém, 18 de novembro de 2025.
Irmãs Missionárias Combonianas.
Leigos e leigas missionários combonianos.
Missionárias Seculares Combonianas.
Missionários Combonianos do Coração de Jesus.